Sempre tem algo diferente…

2009 Junho 21
por ldmrh

Este é, oficialmente, o primeiro domingo de inverno (que mais parece verão). É que tivemos dias muito frios no início do mês, aqui no sul. Bem, como tudo anda um tanto sem lógica e até porque a lógica às vezes pode ser subvertida, sob pena de tornar-se maçante, descobrir coisas novas pode ser interessante. Perdoem o trocadalho do carilho.

Vai daí que por estes “cliquem aqui” nos muitos sites que eu me aventuro descobri esta jovem chamada Julia Nunes. Não há muito que dizer sobre ela. Seu sucesso deve-se em parte ao Youtube, pelos vídeos criativos, bem humorados (vi vários madrugada passada) e…. e vejam vocês mesmos e tirem suas próprias conclusões. Eu? Bem, eu gosto dos Beatles.

Bom domingo!

Das considerações…

2009 Junho 19
por ldmrh

19/06 – 01:43 h, eu ia dormir agora, mas resolvi dar uma olhada no blog. Queria ver como ficaram as alterações que fizera durante o dia. Percebi uma coisa que não me havia me dado conta até então. Houve uma movimentação no número de visitantes. Isto deu-me o que pensar.

Na realidade incomodou um pouco. Coloquei-me no lugar daqueles que entraram ontem certamente pensando que iriam encontrar algo novo postado. Perdoem-me. Quis dar uma renovada no layout e acresci um link para um abaixo assinado – que espero que seja do interesse de todos e, também, que se manifestem contra mais um político completamente sem noção, que grassam nesta terra inzoneira.

Também quero agradecer-lhes (anonimamente, pois anônimas são as suas visitas), o interesse por este pseudo escriba. Obrigado pelo carinho velado e voltem sempre (pretensão é o meu nome).

Como não poderia deixar de agradecer-lhes, sem um afago, selecionei uma pequena pérola da MPB para se deleitarem, com vocês toda a genialidade do excelente Guinga e a bela voz de Mateus Sartori.

A pessoa é para o que nasce…

2009 Maio 19
por ldmrh

O título (que me apropriei) é, também, de um documentário (Brasil, 2005 – 89 minutos, Europa filmes) sobre três irmãs cegas de nascença, que ganham a vida tocando ganzá e pedindo esmolas em Campina Grande (PB). Sobre o documentário (muito interessante), acessem o site, leiam e de quebra façam download de parte da trilha sonora (excelente) e, se possível, vejam o filme. Na tevê paga passa no canal Brasil. Feita a propaganda (não, não ganho jabá), vamos ao que interessa.

Além de título deste texto e do documentário citado, a expressão: “a pessoa é para o que nasce”, é um dito popular. Muito usado no interior do país, bem como muitas outras expressões de domínio público. Chamam a isto “sabedoria popular” e a princípio quase todos tem fundamento. Impressionam pela sua simplicidade e justeza. Há quase um dito popular para quase todas às situações que se conhecem. Este, no entanto, deu-me o que pensar, e vou ater-me a ele, para discorrer neste texto.

Ao se ouvir o dito acima, tem-se de imediato, como verdade – naturalmente para aqueles que costumam utilizá-la – que o destino do “vivente” já está traçado. Ou seja, não adianta “espernear” que a referida criatura vai ser ou servir para aquilo ao qual está pré-destinada. Bem, isto lá no interior, onde as coisas são mais simples e para tudo há uma lógica, já nas grandes cidades isto não vale como regra.

Vivemos, na cidade grande, diferentemente dos nossos irmãos interioranos. Ansiamos por uma vida diferente. Buscamos intensamente maneiras de fugir do nosso já traçado destino, e quase sempre fracassamos. Fico pensando o quanto nos desviamos do caminho da tão procurada felicidade, apenas por não deixar que as coisas simplesmente aconteçam. Nossas preocupações com sobrevivência, subsistência, convivência, nos projetam a procurar pelo sucesso, e esquecemos o básico, o melhor que a vida pode nos dar que é a felicidade plena. Difícil conciliar.

Costumamos complicar tudo. Se valêssemos do escrito, muito provavelmente a vida seria bem menos estressante. Vivemos percorrendo e perseguindo caminhos que não nos realizam (a grande maioria, a bem da verdade), apenas porque precisamos satisfazer os anseios daqueles que nos são próximos e que de nós esperam a redenção, ou quase. Ou seja, boa parte, dos seres humanos, não se realiza com aquilo que faz. Não tem o trabalho que deseja, não tem a cumplicidade que almeja, não encontra mais o seu par perfeito, o encanto pela vida. Costuma se achar estranho e, cercado de pessoas próximas e diversas, geralmente se encontra e está só. Há uma infinidade de blogs intimistas de gente que é solitária e que divide conosco seus mais íntimos segredos, sob o manto do anonimato.

Grande parte, do que somos nos é incutido na tenra infância. Meninas são criadas para casar, constituir família, mães, dona de casa, etc. Meninos têm que prover este sistema, seja procriando, sustentando e amealhando espécie para garantir o futuro da prole. Tem sido assim e é assim em grande parte desta imensa terra brasilis. E isto gera um imenso conflito, e sem que nos demos por conta, acabamos deprimidos. Frustrados.

É muito provável que muitas pessoas que tenham acesso a este texto possam discordar do meu raciocínio, mas é sobre justamente aqueles que não podem acessá-lo é que recaí este estigma. É notório que os valores estão mudando a cada nova geração. Mas é uma parcela ínfima ainda, a maioria é desprovida de conhecimento, cultura, são eternos dependentes do sistema.

As pessoas se adaptam para buscar aquilo que lhes dá maior prazer. “A pessoa é para o que nasce” pode ter outra conotação diferente daquela que a sentencia, ou seja, contrariando os profetas de todos os confins, que insistem em determinar aquilo que seremos, basta que se comece a aspirar algo mais do que o traçado e viver de fato para aquilo para o qual deveríamos ter nascido, que é a busca pela paz e pela felicidade. Eu, vivo tentando… quem sabe um dia.

A propósito, aqui vai uma faixa da trilha sonora, espero que apreciem.

Para um domingo de sol

2009 Maio 17
por ldmrh

A música é Alma Nua, de autoria de Ana Lívia. Mais a respeito da autora e sua obra no endereço: http://www.musicexpress.com.br/Artista.asp?Artista=69#musica=Alma%20Nua

 

Porque eu gosto de música…

2009 Maio 16
por ldmrh

Ouvi esta música pela primeira vez no seriado House (15/05). Ela foi colocada como trilha sonora, no funeral do personagem que saiu da série, bem apropriada. Espero que gostem.

Não poderia ser assim?

2009 Maio 14
por ldmrh

Na quinta-feira, 30 de Abril, a T-Mobile, mais uma vez surpreendeu a multidão num famoso marco de Londres. Desta vez foi Trafalgar Square onde eles reuniram centenas de pessoas para cantar clássicos dos Beatles, aqui “Hei Jude”.

Sob a magia da música o ser humano mostra o seu lado melhor, uma pena que isto tenha que ser orquestrado por uma multinacional. Fossemos assim naturalmente o mundo seria definitivamente um lugar melhor de se viver.

 

(*) Amenidades II

2009 Maio 12
por ldmrh

Musicalmente falando… (parte II)

 

(“… Agora eu era o herói

E o meu cavalo só falava inglês

A noiva do cowboy era você alem das outras três

Eu enfrentava os batalhões, os alemães e seus canhões

Guardava meu bodoque e ensaiava o rock para as matinês…”)

 

Emerson, Lake & Palmer, Gênesis, Pink Floyd, Yes, Jethro Tull, Queen, Deep Purple, músicas para viagens alucinógenas, compartilhadas com amigos ou ouvidas no apartamento onde a solidão era o melhor amigo. The Police, The Smiths, Clash, Talking Heads, The Doors, todas bandas que marcaram épocas com sons diferentes, instigantes e, ainda hoje, soam contemporâneas, são influências para muitos músicos iniciantes. O chamado rock progressivo buscava experimentação e sons exóticos, eram músicas longas e não dançantes, ou não da maneira como se dançavam rock naqueles tempos.

 

(“… Tristeza não tem fim. Felicidade sim

A felicidade é como a gota de orvalho numa pétala de flor

Brilha tranqüila depois de leve oscila e cai como uma lágrima de amor…”)

 

É tanta diversidade musical e tantos “rótulos” que fica difícil separá-los por gênero, pois ainda há outras tendências e novos “conceitos” surgindo a todo momento, mas; Mamas and Papas, Rolling Stones, Rush, Led Zeppelin, Uriah Heep, Slade, AC/DC, Peter Frampton, Miles Dives, Ron Carter, Bob Dylan, Nat King Cole, Frank Sinatra, Astor Piazzolla (brilhante), Bene Goodmann, Harry James, Miles Davis, Glenn Miller, Duke Elington, Sting, Erick Clapton, Peter Gabriel, Lou Reed, Santana, entre outros, muitos, músicos fabulosos, são diferentes entre si, no entanto suas músicas conseguem nos prender da mesma maneira, o prazer que se tem ao ouvi-los é incomparável pois se descobre tons e notas, arranjos impressionantes, que lamento quando alguém ousa dizer que é perda de tempo ficar ouvindo música que dizem não entender. A boa música, diga-se de passagem, não é limitada apenas ao idioma.

 

(“…Teus zói é a flor da paisagem

Sereno fim da viagem

Teus zói e a cor da beleza

Sorriso da natureza…”)

 

A medida em que crescia, aumentavam meus conhecimentos. A música instrumental encantou-me e pude conhecer o prazer de ouvir belas e harmoniosas melodias, onde a letra não se faz necessária, onde somente os sons dos instrumentos “falam” o único idioma conhecido em todo planeta. Hermeto Pascoal, Sivuca, Egberto Gismonti, Pat Metheny, Jean Luc Ponty, Toninho Horta, Zimbo Trio, Marco Antônio Araújo, Jairo de Lara, etc., tem em comum a capacidade de criar sons inimagináveis, verdadeiras obras que encantam a todos aqueles que já os conhecem.

 

(“…Quando a luz dos olhos meus

E a luz dos olhos teus

Resolvem se encontrar

Ai, que bom que isso é meu Deus

Que frio que me dá o encontro desse olhar…”)

 

Músicos de outros centros; Milton Nascimento, Beto Guedes, Lô Borges, Tavinho Moura, Wagner Tiso, Flávio Venturini, Cazuza, Renato Russo, Leila Pinheiro, Fátima Guedes, Djavan, Zeca Balero, Chico César, Paulinho Moska, Vitor Ramil, Rafael Rabelo, Ney Matogrosso, Paralamas do Sucesso, Lobão, Quinteto Violado, Skank, Marcelo Delacroix, Los Hermanos, etc. São tantos e tão importantes no cenário da música popular brasileira, suas músicas ainda são referência de amores passados, presentes, de lugares visitados, de grandes conquistas, de perdas lamentáveis. Enriqueceram minha vida e marcaram passagens importantes que jamais esquecerei.

 

(“… A hora do encontro é também despedida

A plataforma dessa estação

É a vida deste meu lugar

É a vida deste meu lugar, é a vida…”)

 

A harmonia e a delicadeza em letras de compositores brasileiros, a voz cálida, embriagadora, suave, maravilhosa de alguns de nossos intérpretes, expõe de forma clara todo nosso sentimento, falam o que gostaríamos de expressar e no entanto nos falta esta singela delicadeza. Ivan Lins, Djavan, Guinga, João Bosco, Aldir Blanc, Leni Andrade, César Camargo Mariano, Francis Hime, Dominguinhos, Gonzaguinha, Maria Bethânia, Lenine, a fantástica família musical dos Caymmi, composta pelo patriarca Dorival, e os filhos Dori, Nana e Danilo, com canções que acalentam, envolvem e emolduram momentos. É um prazer ouvi-los, músicas que satisfazem imediatamente, como se fossem feitas sob medida para nossos sentimentos.

 

(…”Se eu cantar não chore não

é só poesia

eu só preciso ter você por mais um dia

Ainda gosto de dançar, bom dia

Como vai você?…”)

 

Há também as surpresas que encantam pela diversidade e pela forma como constroem harmonias, pelo inusitado das letras em suas composições ou na maneira de interpretar; Na Ozzetti, Luiz Tati, Grupo Rumo (já extinto), Os Mulheres Negras (idem) Maurício Pereira e André Abujamra (ex Karnack, ex Mulheres Negras), Ceumar, Dante Ozzetti, a voz doce, envolvente e apaixonante de Mônica Salmaso. Arrigo Barnabé, Luís Melodia, Itamar Assunção, Vânia Bastos, Eduardo Gudin. Quem nunca os ouviu certamente desconhece a música inteligente, aquela que mexe com nossos neurônios, instiga, perturba e encanta.

 

(“…Tem certos dias em que eu penso em minha gente

E sinto assim todo meu peito se apertar

porque parece que acontece de repente

Feito um desejo de eu viver sem me notar…”)

 

A música, em minha vida tem marcado, profundamente, várias passagens, fatos marcantes, outros nem tanto, faz parte da minha memória e, vez em quando, passeio por lugares ali guardados e outros que evocam sonhos, alguns dos quais realizei, outros no entanto jamais realizarei. Viver é um pouco isto, se não se realiza há ainda a possibilidade de sonhar.

 

(“… Certas canções que ouço

cabem tão dentro de mim

Que perguntar carece

Como não fui eu que fiz…”)

 

Posso dizer que sou eclético sim, mas alguns gêneros não suporto. Que me perdoem fankeiros, pagodeiros e outros “eiros”. Duplas caipiras, Vanessas Camargo e Ivetes Sangalo. Se por um lado tenho um ranço natural para axé music, Chiclete com Banana, e músicas em que o povo acompanha fazendo ondas com os braços, os chamados “macacos de auditório”, por outro lado, gosto deveras de outros gêneros: blues, jazz, rock, clássicos, instrumental, ópera (quem diria!). Música. Boa música; Cold Play, Norah Jones, a voz deliciosa de Madeleine Peyroux, Jorge Drexler, etc. Tudo bem se alguns torcerem o nariz ou mesmo resolverem deixar de ler e parar por aqui, mas gosto não se discute. E, não gostar, não significa desrespeitar. Meu epitáfio já escolhido é “Aqui Blues”.

 

(“… Eu faço samba e amor até mais tarde

E tenho muito sono de manhã

Escuto a correria da cidade que arde

E apressa o dia de amanhã

De madrugada a gente inda se ama

E a fabrica começa a buzinar

O trânsito contorna a nossa cama – reclama

Do nosso eterno espreguiçar…”)

 

Quando penso no passado, nas coisas que já vivi, não encontro nada que me faça ser existencialmente diferente de outros, exceções à regra. A vida é uma sucessão de repetições, de situações idênticas e, ingenuamente, nosso egocentrismo não nos permite perceber que todos vivenciam exatamente o mesmo; perdas e ganhos. Mas me conforta, e muito, reconhecer e apreciar a boa música. Tive e tenho ainda o privilégio de ouvir belas músicas, verdadeiras jóias da cultura popular, e nem sei se posso dizer que lamento que isto não seja compartilhado por todos, talvez por imaginar que muitos não lhes darão valor devido, o que é lamentável. É um universo que se pudesse estender a todos, certamente faria o mundo ser diferente, e não seria absurdo pensá-lo melhor. A música é uma das artes onde o ser humano se expressa com maestria, conseguindo mexer com nossos sentimentos, nos fazendo acreditar, mesmo que por instantes, que podemos, através da delicadeza sonora, sonhar e acontecer.

 

(“… Meu coração

Não sei porque

Bate feliz

Quando te vê

E os meus olhos

Ficam sorrindo

E pelas ruas

Vão te seguindo

Mais mesmo assim

Foges de mim…”)

 

O ser humano é ambíguo, tanto pode extinguir como pode criar. Lamentavelmente tem mais sucesso ao fazer o primeiro. Mas, quando resolve criar, nos dá a devida noção do quanto somos ou podemos ser sensíveis. Ouvir Louis Armistrong cantando “What A Wonderful World”, ou Jonh Lennon com “Imagine”, é para alguns um momento de reflexão profunda. Fica difícil tentar entender porque destruímos tanto, quando temos a capacidade de criar coisas como lindas canções. A música faz o contraponto, pode-se ver um exemplo disto no filme The pianist (O pianista) de Roman Polanski, 2002, ali fica claro porque dizem que ela acalma as feras. O antagônico deixa de existir para ser apenas um em comunhão.

 

(“…Eu tinha um ombro de algodão

Pra ajeitar seu sono

Eu tinha uma água morna

Pra lavar o seu suor

E o meu corpo uma fogueira

Pra esquentar seu frio

E a minha barriga livre

Pra gerar seu filho…”)

 

Há muitos outros ainda que deveriam ter sido citados, tão importantes quanto aqueles que aqui descrevi. Mas descobri-los lhe será prazeiroso, faça isto. Mais importante do que faze-lo ainda, é ouvi-los com atenção que merecem. Reserve algum tempo e perceba que existem muitas coisas, além de pagode e música sertaneja (sem desmerecer aqueles que realmente fazem música de qualidade, nestes gêneros musicais). Listei abaixo, exemplos de maravilhas compostas que você deveria ouvir, experimentar, ao menos uma vez na vida.

 

As quatro estações de Antonio Vivaldi;

Porgy & Bess com Ella Fitzgerald and Louis Armstrong;

As quatro estações porteñas de Astor Piazzolla;

Os Mestres Cantores de Nuremberg de Richard Wagner;

Bachianas de Heitor Villa-Lobos.

 

São gêneros diferentes, espetaculares, capazes de nos transportar a lugares mágicos, de nos oferecer mais que o prazer de apenas ouvir uma excelente música de qualidade. São sentimentos, emoções que eclodem em todas as suas formas, compostas harmoniosamente. Se você escutar com atenção, perceberá quando um movimento é alegre, quando ele é triste, vai descobrir na execução de uma obra o que o autor quis transmitir. Quando entender isto, a música não mais o deixará. Dizem que quem leva a música consigo jamais ficará sozinho. Bem, gosto de pensar que estou sempre bem acompanhado.

 

Espero que lhe toque a alma como acontece comigo. O prazer desfrutado é ímpar, inenarrável. A seguir copiei a letra de uma música composta pela Joyce e pelo Maurício Maestro chamada “Mistérios”. Leia, procure ouvi-la e, se possível, deixe-se encantar por este dom maravilhoso do ser humano que é capacidade de criar Música.

 

Mistérios

 

Um fogo queimou dentro de mim
Que não tem mais jeito de se apagar
Nem mesmo com toda água do mar
Preciso aprender os mistérios do fogo pra te incendiar
Um rio passou dentro de mim
Que eu não tive jeito de atravessar
Preciso um navio pra me levar
Preciso aprender os mistérios do rio pra te navegar
Vida breve, natureza
Quem mandou, coração?
Um vento bateu dentro de mim
Que eu não tive jeito de segurar
A vida passou pra me carregar
Preciso aprender os mistérios do mundo pra te ensinar

 

 

Músicas:

- parte I

 

Sapato Velho (Cláudio Nucci e Paulinho Tapajós);

Nascente (Beto Guedes);

Eu te amo (Chico Buarque);

Todo Azul do Mar (Flávio Venturini e Ronaldo Bastos);

Atrás da Porta (Chico Buarque e Francis Hime);

Nuvem Cigana (Lô Borges);

O trem azul (Lô Bores);

Tarde em Itapuã (Toquinho);

Alguém Cantando (Caetano Veloso);

Sabiá (Tom Jobim);

Como Nossos Pais (Belchior);

Beatriz (Edu Lobo e Chico Buarque);

A noiva da cidade (Chico Buarque e Francis Hime);

Flor de Liz (Djavan);

Porque é proibido pisar na grama (Jorge Ben);

Alegre Menina (Djavan);

Atiraste uma pedra (Dalva de Oliveira);

Terra (Caetano Veloso);

Me chama (Lobão);

Onde anda você (Vinícius de Moraes e Hermano Silva);

Distantes Demais (Lenine e Dudu Falcão);

Roda Viva (Chico Buarque);

- parte II

João e Maria (Chico Buarque);

A felicidade (Agostinho dos Santos);

Flor da paisagem (Fagner);

Pela luz dos olhos teus (Vinícius de Moraes);

Encontros e despedidas (Milton Nascimento);

Um girassol da cor de seu cabelo (Lô Borges);

Gente Humilde (Chico Buarque, Vinícius de Moraes e Garoto);

Certas Canções (Milton Nascimento);

Samba e Amor (Chico Buarque);

Carinhoso (Pixinguinha e João de Barro);

Mãos de afeto (Ivan Lins);

Mistérios (Joyce e Maurício Maestro).

(*)Postado originalmente em 20/04/08

 

 

 

 

Good times…

2009 Maio 10
por ldmrh

Sim bons tempos….

Mães…

2009 Maio 10
por ldmrh

10/05 – 15:33 h, minha mãe tem suas manias. Diz gostar de ficar sozinha onde mora. Pensei em brincar com ela, dizendo que estava indo almoçar. Até o presente momento, não sei onde se encontra. O telefone não atende e o celular está desligado.

Na realidade este ano, diferente dos demais, teria gostado de abraçá-la, uma vez que, sempre nesta data, dificilmente isto acontece. Ela não gosta muito de visitas e eu não gosto muito de sair.

Ocorre que tem dias em que nada dá certo. Noite passada, sem qualquer indicação do que iria acontecer, uma dor súbita no pé, fez com que não pudesse mobilizar-me. Acho que é uma inflamação nos tendões. Seja como for não poderia ir à sua casa.

Ficará aquela sensação de vazio, daquelas coisas que não se gosta de perder a oportunidade, porque não é um dia qualquer.

 Ela tem 68 anos e uma disposição invejável. Certamente deve estar na casa de alguma amiga. Imagino que saberei dela somente ao final do dia. Mas não faltará oportunidade, a rigor, todo dia é o seu dia. A data é meramente comemorativa, amanhã ou depois repararei o desencontro.

Então, sem conseguir repousar, porque a dor não permite, resolvi escrever um pouco. Neste dia, certamente milhões de pessoas repararão em suas mães. Em vários lugares do mundo a data é comemorada. Elas serão reverenciadas, ganharão presentes e carinhos, se sentirão especiais, e…  era isto.  

Seus filhos, a grande maioria, por mais 365 dias, sequer lembrarão-se de ligar-lhes, para saber como estão. Não escrevo aqui para acusá-los, mais sim para estas mães, que deveriam se sentir especiais todos os 365 dias do ano. Para que a despeito da nossa preguiça, do nosso descaso, do nosso esquecimento, da nossa eventual falta de respeito, saibam que merecem todo o carinho e admiração daqueles a quem puseram no mundo, pois mesmo depois, com todos os inconvenientes que lhes causamos, nos amam incondicionalmente.

A estas mulheres, como á minha mãe, desejo-lhes um excelente dia com seus filhos, que saibam que mesmo não tendo o reconhecimento diário, somo-lhes gratos por tudo que fizeram por nós. Que seu sacrifício não foi em vão, que as coisas que abriram mão para criar-nos, de alguma maneira retornem em forma de reconhecimento, do amor incondicional a que são relegadas.

A todas vocês, a você, minha mãe, um excelente (seu) dia.

Mãe, amo você.

Quando o mundo era preto e branco…

2009 Março 30
por ldmrh

 

Faz alguns anos que tenho esta idéia (preciso me acostumar a ignorar meu editor de textos quando informa que ideia está errado e tem acento, vá se f…. Sarney) estúpida sobre o mundo ser preto e branco. O interessante é que estas coisas não ficam apenas no nosso imaginário, elas extrapolam e em alguma mente deturpada, como a minha, ainda faz um filme a respeito disto.

 

Chama-se Pleasantville, porém não o vi. Mas li a sinopse agora, para saber sobre o que se trata e, parece ser razoavelmente bom, confiram.

 

Citei o filme apenas para não me acusarem de estar escrevendo sobre algo já feito. Na realidade no momento em que escrevo este texto, nem sei bem onde irei parar. Fato é que em relação com o filme, dificilmente haverá algo mais além da ausência da cor, ah sim, já escrevi algo assim tempos atrás neste espaço, lembrado gentilmente pela minha maior crítica.

 

Bem, feita a interessante introdução – deixei o interessante pois o editor de textos sugeriu no complemento da palavra – agora discorro sobre o título acima. Lembro que tempos atrás, quando meu filho mais velho era menino, eu costumava brincar com ele dizendo que muito antigamente, no início do século passado, o mundo era em preto e branco.

 

Ele me olhava incrédulo, cético. Pois apesar de criança, não sabia mensurar tamanho absurdo que lhe contava. Dizia-lhe que naquele tempo, é que a vida era boa. As pessoas eram mais pacíficas, ordeiras (a desordem era contida, controlada), miséria era coisa rara. Tinha-se segurança nas ruas, a vida era bem mais pacata, o bom humor grassava em quase todos os semblantes. Não haviam problemas como crises existenciais, síndrome do pânico, gente como eu, enfim era um verdadeiro “mar de rosas”.

 

Quando meu filho me questionava sobre isto eu apenas lhe mostrava algum filme do Gordo e o Magro; dos irmãos Marx – Groucho, Chico, Harpo, Gummo e Zeppo ; Buster Keaton; Charles Chaplin; Bud Abott e Lou Costello; Os três patetas; Jerry Lewis e Dean Martin; Harold Lloyd, etc, etc. Mesmo assim ele não concebia tamanho absurdo. Se por um lado eu não insistia na “veracidade” do que lhe falava, por outro também, ele não ousava me questionar pois lhe faltavam conhecimentos.

 

Era uma brincadeira, que repeti posteriormente com meus outros dois filhos, quando crianças. Talvez quem precisasse acreditar naquilo, de fato, era eu. Que as coisas eram assim tranquilas (eu sei, eu sei, sem trema, mas que droga Sarney!!!), serenas, como se a miséria realmente não existisse, como se o serumano fosse ser humano, onde o respeito determinava as relações, onde todo mal advinha de apenas boas e engraçadas piadas, que te fariam, literalmente, rolar de rir. Um mundo onde a sacanagem maior era tomar torta na cara e qualquer tentativa de lesar alguém não ficava na impunidade.

 

É, acho que quem tentava se iludir realmente era eu. Saudade da minha infância.